O nosso organismo consegue sintetizar por conta própria. São eles:
Alanina, Arginina, Asparagina, Ácido aspártico, Cisteína, Ácido glutâmico, Glutamina, Glicina, Prolina, Serina e Tirosina.
As proteínas são as macromoléculas mais abundantes nas células e possuem diversas funções, desde a defesa do nosso organismo até a estrutura dos tecidos. Mas, do que elas são formadas?
Não importa se estamos falando de uma bactéria ou de um ser humano: as proteínas que formam a vida são constituídas por um mesmo "alfabeto" de 20 aminoácidos.
Pense nas proteínas como um longo trem. Nesse trem, cada vagão é um aminoácido. Eles se conectam uns aos outros através de engates superfortes, conhecidos como ligações peptídicasLigação covalente formada entre o grupo carboxila de um aminoácido e o grupo amino do outro, liberando uma molécula de água..
Embora existam outros aminoácidos raros na natureza (que sofrem modificações), apenas estes 20 são os "blocos de construção" padrão das proteínas.
Quase todos os aminoácidos possuem uma estrutura central idêntica: um Carbono Alfa ligado a um Hidrogênio, um Grupo Amino e um Grupo Carboxila. O que os diferencia é a sua Cadeia Lateral (Grupo R). É essa cadeia variável que funciona como uma "identidade", definindo como o aminoácido vai se comportar quimicamente.
Vale lembrar que nem todo aminoácido é "alfa", embora os 20 que formam nossas proteínas sejam. Veja as variações:
Eles são divididos em dois grandes grupos baseados na nossa necessidade alimentar:
O nosso organismo consegue sintetizar por conta própria. São eles:
Alanina, Arginina, Asparagina, Ácido aspártico, Cisteína, Ácido glutâmico, Glutamina, Glicina, Prolina, Serina e Tirosina.
O nosso corpo não produz, exigindo o consumo obrigatório via alimentação. São os principais:
Histidina, Isoleucina, Leucina, Lisina, Metionina, Fenilalanina, Treonina, Triptofano e Valina.
Prometo que será tranquilo! A maioria dos aminoácidos possui um Carbono Quiral. Isso significa que a molécula possui "versões espelhadas", exatamente como nossas mãos: a mão direita e a esquerda são iguais, mas não se sobrepõem perfeitamente. Na biologia, o "lado" dessa molécula muda tudo na forma como ela interage com as células!
Todas as moléculas com um centro quiral também são opticamente ativas - isto é, elas giram o plano da luz polarizada.
Teste rápido: O único aminoácido que não possui um carbono quiral (pois a cadeia lateral é composta apenas por um átomo de Hidrogênio) é a Glicina .
Para organizar esses enantiômeros em laboratório, os cientistas precisavam de um "molde padrão" para comparar. O molde histórico escolhido foi o Gliceraldeído.
Ao desenhar a estrutura, a regra ficou assim:
A Escolha da Natureza: O nosso maquinário celular é muito exigente e funciona como alguém que só tem a mão esquerda. Por isso, as proteínas humanas são construídas exclusivamente por L-aminoácidos. As nossas enzimas não conseguem "segurar" os D-aminoácidos.
É muito comum achar que a letra "L" significa levorrotatório (desviar luz para a esquerda). Mas uma coisa não tem a ver com a outra!
Resuminho: A estrutura física não dita o comportamento da luz. É normal encontrar um L-aminoácido que seja dextrorotatório na vida real!
Como regra geral, quase todos os L-aminoácidos encontrados nas nossas proteínas possuem a configuração (S).
A Grande Exceção: A L-Cisteína é o único aminoácido comum que, mesmo sendo L, possui a configuração (R). Isso acontece porque o átomo de enxofre presente no seu radical é mais pesado e inverte toda a regra de prioridade química.
Os grupos R podem ser divididos nos seguintes grupos:
Formado por Alanina, Valina, Leucina, Isoleucina, Glicina, Metionina e Prolina. A marca registrada é possuir cadeias hidrofóbicas. Eles atuam como a fundação do enovelamento, agrupando-se no interior das proteínas.
Composto por Fenilalanina, Tirosina e Triptofano. Possuem anéis aromáticos e um "ranking" de polaridade:
Aplicações de Laboratório: O Brilho no UV. A capacidade de absorver luz ultravioleta é liderada pelo triptofano e tirosina. A maior parte das proteínas absorve luz de forma intensa no comprimento de onda de 280 nm . Isso é explorado para quantificar proteínas na espectrofotometria.
Engloba Serina, Treonina, Cisteína, Asparagina e Glutamina. São hidrofílicos (polares) e formam ligações de hidrogênio muito bem.
O Superpoder da Cisteína: Ela carrega um grupo sulfidrilaSímbolo (-SH). A presença do enxofre permite a oxidação e a formação da ponte.. Duas cisteínas próximas oxidam esses grupos para formar a ligação dissulfeto (ou ponte dissulfeto).
Essa ligação funciona como um "grampo". É essencial para conferir estabilidade na proteína e também está presente na estrutura dos fios de cabelo .
São os mais hidrofílicos, pois apresentam carga elétrica nítida no pH fisiológico. São responsáveis por realizar as interações iônicasTambém conhecidas nas provas de bioquímica estrutural como Pontes Salinas..
O Destaque da Histidina: O seu grupo R possui um pKaMedida de tendência de um grupo em ceder um próton. muito próximo do pH fisiológico (7,0). Ela ganha ou perde prótons facilmente, atuando como um "interruptor" químico, muito presente no sítio ativo das enzimas.
Vamos relembrar a estrutura básica de um aminoácido: ele possui um grupo amino, um grupo carboxila e uma cadeia lateral (Grupo R). Na água, algo interessante acontece:
Quando isso ocorre, a molécula passa a ter dois polos elétricos simultâneos, tornando-se um íon dipolar (ou zwitterionMolécula que contém grupos com cargas elétricas opostas, resultando numa carga líquida geral nula.). Por ter essa característica dupla, os aminoácidos funcionam como compostos anfóterosSubstância que pode agir tanto como ácido (doando prótons) quanto como base (recebendo prótons)., reagindo com ácidos ou bases dependendo do ambiente.
Se o grupo amino está com carga (+1), o carboxila com (-1) e a cadeia lateral é neutra (0), a soma final é: +1 - 1 + 0 = 0. A carga líquida da molécula é zero. Na bioquímica, o pH exato da solução que deixa a proteína com carga líquida igual a zero é chamado de Ponto Isoelétrico (pI).
Para aminoácidos simples como a glicina (que não tem carga na cadeia lateral), o pI é a média aritmética dos valores de pK dos seus grupos:
É através desse conhecimento que separamos proteínas no laboratório. Se você coloca uma mistura de proteínas em um gel eletrificado, elas correm para os polos dependendo da carga que assumem naquele pH. Se o pH do gel for exatamente igual ao Ponto Isoelétrico (pI) da proteína, a carga líquida dela será zero e ela simplesmente não se move. É assim que separamos a hemoglobina normal da falciforme em exames.
As proteínas do nosso sangue são repletas de aminoácidos na superfície. Se o sangue fica muito ácido, esses aminoácidos "roubam" prótons do meio, mudando de carga. Essa mudança drástica pode desnaturar a proteína. Para evitar isso, proteínas ricas em Histidina atuam como um "tampão", absorvendo ou liberando hidrogênios gentilmente para impedir que o pH varie e cause um colapso metabólico.
Durante muito tempo, a ciência acreditou que as proteínas eram formadas por um alfabeto estrito de apenas 20 aminoácidos. No entanto, a natureza possui exceções fascinantes:
Possui um átomo de selênio no lugar do enxofre da cisteína. Como o selênio é muito suscetível à oxidação, as proteínas que o contêm precisam ser protegidas do oxigênio. Em humanos, temos cerca de 25 genes que codificam selenoproteínas.
O Truque Genético: Ela é codificada pelo códon UGACódon de parada (Stop Codon): Sequência que avisa o maquinário celular para encerrar a tradução.. A célula sabe que não é para parar a leitura porque existe um elemento estrutural chamado SECIS logo após. Nas bactérias, o SECIS forma um laço que é reconhecido pela proteína SelB, que posiciona o aminoácido no local exato.
Descoberta em 2002 em arqueias, ela é codificada por outro códon de parada: o UAGCódon de parada (Stop Codon): Sequência que avisa o maquinário celular para encerrar a tradução.. Diferente da selenocisteína, ela é totalmente sintetizada antes de ser carregada para o tRNA e seu mecanismo é mais misterioso.
Além dos oficiais, existem aqueles modificados depois de estarem na cadeia proteica. A 4-hidroxiprolina (derivada da prolina) e a 5-hidroxilisina (derivada da lisina) são os grandes exemplos.
A Receita do Colágeno: Esses derivados são fundamentais para a estrutura do colágeno e parede celular de plantas. A composição do colágeno é uma impressão digital química: entre 15% a 30% são prolina e 4-hidroxiprolina, e aproximadamente 1/3 dos seus resíduos são de Glicina !